ANOS POTENCIAIS DE VIDA PERDIDOS POR CAUSAS CARDIOVASCULARES PELO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE EM UM MUNICÍPIO DO NORTE FLUMINENSE
Palabras clave:
Doenças cardiovasculares, Morbidade, Sistema Único de SaúdeResumen
Introdução: A transição epidemiológica culmina no aumento da carga de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), em especial as Doenças Cardiovasculares (DCV). As DCV são uma das principais causas de morbimortalidade global e no Brasil, sendo fortemente ligadas a fatores de risco modificáveis (tabagismo, sedentarismo, má alimentação). O trabalho visa compreender o perfil epidemiológico das internações e o impacto da mortalidade por DCV em Campos dos Goytacazes, município do Norte Fluminense, além de estipular o indicador Anos Potenciais de Vida Perdidos (APVP).
Metodologia: Trata-se de um estudo ecológico, descritivo e analítico, baseado em dados secundários e de domínio público do Sistema de Informações Hospitalares (SIH/SUS) e do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), disponíveis no DATASUS. As DCV foram definidas pela Classificação Internacional de Doenças (CID-10: I00–I99). O indicador principal de análise de mortalidade foi o Anos Potenciais de Vida Perdidos (APVP), calculado com uma expectativa de vida limite de 70 anos. Resultados: A análise de internações (2015-2024) evidenciou uma carga de doença desproporcional em Campos dos Goytacazes. A taxa bruta de internação por DCV no município foi de 40,46 por 1.000 habitantes, significativamente mais alta que a do estado do Rio de Janeiro (20,73/1000 hab.) e do Brasil (33,81/1000 hab.). Ao cruzar os dados com a faixa etária, a disparidade se acentua: Campos dos Goytacazes apresenta taxas de internação substancialmente maiores que a média estadual e nacional em todas as faixas etárias a partir dos 40 anos. O pico de risco ocorre na faixa de 80 anos e mais, com uma taxa de 302,09/1000 habitantes. O indicador de mortalidade resultou em um total de 8.298,5 Anos Potenciais de Vida Perdidos (APVP) por causas cardiovasculares no período. As faixas etárias que mais contribuíram para essa perda de anos produtivos foram 50 a 59 anos e 60 a 69 anos. Comparativamente, a taxa de APVP por mil habitantes de Campos (17,89) foi superior à do estado do Rio de Janeiro (13,21). Conclusão: O estudo conclui que as doenças cardiovasculares representam um grave problema de saúde pública em Campos dos Goytacazes, impactando a morbimortalidade de adultos e idosos. O cálculo do APVP confirma a perda considerável de anos de vida produtivos, com importantes consequências sociais e econômicas. Os achados reforçam a urgência de estratégias preventivas direcionadas, controle de fatores de risco e aprimoramento da atenção primária e do acesso aos serviços de saúde no município.
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